Le vilain petit canard (O Patinho Feio) ganha vida em plasticina com o sopro do stop-motion numa recente adaptação russa. É a longa-metragem de estreia de Garri Bardine, autor russo cujo trabalho merece ser seguido. Se merece! Eu adorei o seu filme. Começa com uma minhoca que, mal o dia nasce, não sabe onde se meter tal é o assédio do galináceo que habita uma capoeira altaneira, erigida como um forte no cimo de um rochedo. Entre os ovos que vão dar continuidade à espécie está, por engano, um ovinho de pato. O patinho será o estrangeiro, o outsider, no meio dos pintainhos (parece até um comentário à situação política e humana da Europa de hoje). A história é de todos conhecida (Andersen), mas o seu renascimento em plasticina animada como propõe Bardine é uma leitura poética do princípio ao fim. Ao longo do filme ouvimos o Lago dos Cisnes e Quebra-Nozes de Tchaikovski, que não está aqui para ilustrar a ação, antes é motivo para belas coreografias. Às vezes são os momentos menos fortes em termos da progressão da história que são os mais encantadores como o início do filme ou as brincadeiras entre os pintainhos. Gostaria de voltar a ver o filme porque a riqueza de pormenores do trabalho de Bardine é tal que nos reserva sempre surpresas. Raramente vi no cinema de animação recente uma tal aliança de poesia e emoção. Um clássico, a meu ver. Paris 2018 (5/5)
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Sunday, December 3, 2023
Sunday, March 12, 2023
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