Um dos artigos de que mais gostei nas últimas semanas vem publicado no número de dezembro de 2013 dos Cahiers du Cinéma. Que razão pessoal me leva a destacar este texto? Trata-se de um artigo que ilumina um pouco o sacrifício a que me tenho sujeitado de há uns tempos para cá: passar algumas manhãs de domingo enfiado nos cinemas para ver filmes que de outro modo não poderia ver (em sala, quero eu dizer). Filmes para crianças. Antigos. Intitula-se o artigo La nouvelle jeunesse de l'animation de l'Est. É a animação histórica dos anos 60 e 70, aquela que passava na televisão portuguesa por iniciativa de Vasco Granja, que agora tem um êxito de crítica e de público nos cinemas franceses. Afinal o que leva centenas de milhares de crianças e adultos às salas para verem curtas-metragens de animação que facilmente estão acessíveis na net? Mistério... A Pequena Toupeira, nascida em 1957 da cabeça de Zdenek Miler, foi reanimada para as salas francesas em 2007 e, diz o artigo, a fait date dans l'histoire de la distribuition française. Em cerca de 650 salas as duas compilações de aventuras curtas da toupeirinha checa atraíram 224 000 e 146 000 espetadores. Outro herói pequeno é o Criquet, também criado por Miler em 1978, e foi visto nestes anos por 130 000 interessados. Mas outros sucessos vieram da China: La boutique des pandas (73 000 entradas) e Malin comme un singe (55 000). Em todos os casos estamos nos antípodas do que costumamos ver vindo da América: Disney, Pixar, etc. É uma espécie de arte e ensaio do cinema de animação. O trunfo de todos estes programas é a qualidade e a criatividade que hoje é ainda mais evidente e fascina tanto crianças como adultos. Tenho visto muitas outras produções de grande qualidade, da Rússia mas também da Grã-Bretanha. Quase sempre a qualidade dos programas justifica o sacrifício da manhã de domingo. Uns vão à missa... Paris 2014
